Ensaios sobre Alagoas

terça-feira, 5 de junho de 2018




A HISTÓRIA DE CÉLIA MARIA: RELATOS DE UMA VIDA
                                                              
*Por Priscilla Silva Barbosa



Sou Célia, moro em Limoeiro desde que nasci. Meus pais eram pobres, e nós éramos moradores da fazenda do falecido Isaías e da dona Margarita, no povoado Pé Leve.
Desde os sete anos, eu comecei a trabalhar, junto com os meus irmãos, para ajudar os nossos pais a colocar comida na mesa. Eu plantava feijão, mandioca, algodão, milho, amendoim e raspava mandioca, isso era o da semana. Na segunda, íamos buscar lenha na mata para cozinhar, lavávamos as roupas na lagoa do Pé leve, ajudávamos a nossa mãe a cuidar dos menores. E mesmo com tanto trabalho, minha mãe criou dez filhos.
Nós só tínhamos duas camas na casa, uma para minha mãe, e uma para as moças. Meus irmãos dormiam nas redes. Na fome de setenta, nós não passamos muita necessidade, graças à nossa patroa.
Meu pai, Abílio Ortino da Silva, bebia muito. Mas minha mãe Maria Justina da Conceição lutou até cada um de nós crescermos, procurando assim o nosso próprio caminho. De uma maneira geral, fomos felizes, mesmo com toda a pobreza. Me criei na lagoa do Pé leve, era bom. Onde tínhamos tempo brincávamos de boneca. No Pé leve, nós éramos uma família só, quando chegava alguém de fora e criava alguma confusão, a família se juntava para defender. Agora tem gente de todo lugar.
No Pé leve não tinha escola, nós estudávamos em um salão que pertencia à nossa patroa, e ás vezes, no salão da prefeitura. Eu estudava à noite, com professora Anelice. Então veio ao Pé leve o doutor Oceano ele era de Penedo, que junto com o Milton Fernandes candidato a vereador do Pé leve, fizeram a primeira escola, que até hoje ainda existe, ela se encontra perto da igreja católica, mas eu não estudei lá, só meus quatro irmãos mais novos. Estudei com a Margarita, foi ela que doou o chão da igreja do Pé leve.
Depois de morar na fazenda trinta anos, nossos queridos patrões faleceram, mas antes de partir, deram para minha mãe um chão com uma casinha de taipa, e o dinheiro para ela construir uma de tijolos, não pedimos nada, deram porque gostavam de nós.
O único cartão-postal é a lagoa do Pé leve, onde eu tomava banho. Eu gostaria que as pessoas zelassem pelo cartão-postal de lá, que é a lagoa. Apesar da pobreza, no meu tempo era melhor, as crianças eram crianças. Viviam sem a maldade dos dias de hoje. Tenho saudade desse tempo!
Eu nunca me casei, mas vivi com o Gilberto Barbosa, foi meu primeiro namorado, tive sete filhos, um deles morreu. Tenho dois homens e quatro mulheres. Meu nome? Prazer, sou Célia Maria da Conceição.  



Célia Maria da Conceição


O casal Gilberto Barbosa e Célia, com seus filhos Gilcélia, Gilberto e Gisele.





* Entrevista concedida por Célia Maria da Conceição à sua neta Priscilla Silva Barbosa, 13 anos, estudante do 8º Ano B, da Escola Municipal Nossa Senhora da Conceição.
























* Redação feita sob a orientação da professora Edenilce de Oliveira Almeida, de Língua portuguesa, da Escola Nossa Senhora da Conceição.

A HISTÓRIA DE CÉLIA MARIA: RELATOS DE UMA VIDA

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